a-fraction-of-the-wholeTerminei semana passada o tijolão A fraction of the whole, do Steve Toltz, e não consigo entender direito porque não gostei do livro.

1. O livro foi “descoberto” pela Bensimon em Paris. Steve Toltz é um autor australiano que ainda não estourou muito por esses lados aqui. Daniel “Mojids” Felizzardi amou o livro e defendeu o romance como eu só tinha visto ele fazer com The last samurai da Helen DeWitt. Tiago “Ductilissimo” A., fez defesa similar. Então eu tive que conferir, não?

2.1 A primeira coisa que me incomodou no livro, é que nas 520 páginas dele não param de acontecer coisas. Sério, parece romance picaresco. A cada página um episódio diferente. A cada 50, uma reviravolta. Uma morte a cada 100.

2.2 Mas dá para reclamar de uma coisa dessas? Essa minha incomodação é válida? Será que eu gosto é de livro parado, livro chato, livro não-narrativo? Que espécie de argumento é esse?

3.1 Outra coisa que me incomodou é o humor, o livro é constantemente “engraçadinho”/”espertinho”. Na verdade as palavras mais adequadas para definir A fraction of the whole seriam “witty” e “clever”, e acredite, são palavras sem equivalente no português. A cada parágrafo tem uma observação espertinha acerca da vida, o universo e tudo mais.

3.2 De novo: dá para reclamar de uma coisa dessas? Não dá! Por que me irritou? Não sei! Me irritou como me irritou acontecer coisas demais! Será que isso quer dizer que gosto de um livro chato, sem humor?

4.1 e .2 O livro é todo bem construidinho: bons personagens, boas descrições. Parece resultado nota A de um curso de creative writing. Segue bem a tradição anglófona de literatura. Está, na minha opinião, bem na linha de autores norte-americanos como Safran Foer & cia. E isso também me incomodou! Deus do céu, estou chato.

5.1 Por fim, é um livro que não constrói algo no final. É composto de pequenas frações do todo, mas no final da leitura, senti ter saído dela incólume.

5.2 Mas não seria esse o propósito do livro? Olha o título, “uma fração do todo!”, o livro não pretende construir um grande significado final. E existe algo mais ridículo no século XXI do que esperar um todo? Não deveria ficar feliz com os fragmentos, com a impossibilidade do todo? Sim, eu deveria, todo meu conhecimento me orienta para isso. E, no entanto, não fiquei feliz.

Um resumo: Eu não gostei do livro, embora não tenha conseguido largar ele. Pior, não consegui encontrar um só argumento válido para explicar porque eu não gostei do livro. Se eu fosse pago para resenhar a obra, provavelmente faria uma resenha positiva, pois não dá para eu me render a um impressionismo tão obscuro, dá? Não, não dá. E ainda assim, não consigo ficar em paz.

Um resumo sobre o resumo: O que eu quis dizer com esse post? Acho saudável explicitar, já que muita gente me entende errado nessas bandas. ORAS, SIMPLES, só que eu não entendo meus procedimentos de leitura, ou então que meu processo de fruição é diferente dos meus procedimentos críticos, frios. E que conclusão podemos tirar disso? Não sei! Isso não é desesperador?