Diz Adorno, no Minima Moralia:

139. “Os filisteus cultivados têm por hábito exigir que a obra de arte lhes dê alguma coisa. Eles não se indignam mais com o que é radical, mas refugiam-se na afirmação, tão modesta quando desavergonhada, de que não a compreendem. Esta elimina até a resistência, a última relação negativa com a verdade, e o objeto escandaloso é catalogado, com um sorriso, entre os que a ele não se assemelham, os bens de consumo, entre os quais se tem escolha e que se podem recusar, sem ter que assumir nenhuma responsabilidade por isso. As pessoas dizem que são mesmo estúpidas demais, antiquadas demais, não conseguem entender; quanto menores se fazem, mais seguros estão de participar do potente uníssono da vox inhumana populi, do tribunal do petrificado espírito da época. O incompreensível, de que ninguém se benificia, transforma-se de crime provocante em tolice lamentável. (…)”