Uma revista da Unicamp pediu a vários escritores um texto no qual respondessem a pergunta “Por que você escreve?”. Eu respondi em fevereiro, mas a minha resposta (e a dos outros) acabou não saindo na revista. Longa história. Então, para não dizer que aquele texto é morto, publico aqui. O engraçado é que de fevereiro pra cá mudei bastante de opinião sobre os dois primeiros parágrafos, rere. Espero que interesse a alguém. Do contrário, ignorem.

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COMUNICAÇÃO NA PIOR DAS QUARTAS-FEIRAS

Preciso tirar isso do meu sistema: sempre achei a pergunta “Por que você escreve?” banal e até mesmo estúpida.

Veja bem. Escrever é uma forma de expressão. Assim como tocar violão, assim como dirigir um filme, assim como pintar um quadro, assim como criar uma escultura, assim como desenvolver um jogo de videogame. Boa parte das pessoas sente desejo de se expressar. Para conseguir tal façanha, procuram o meio mais adequado. Eu tentei tocar guitarra (fracassei), dirigir um filme (na verdade um videoclipe, tanto faz, fracassei de qualquer forma) e encontrei meu lugar na literatura (onde não fracassei tanto, creio). Ainda bem, pois sempre gostei mais de ler do que de assistir a filmes ou escutar música. Por isso a sensação da banalidade da pergunta. A resposta soa sintetizável em forma matemática: desejo de expressão + meio escrito = vontade de escrever.

O problema? Sim, há um problema. A pergunta esconde outra, muito mais capciosa e complexa. Dentro de “Por que você escreve?” pulsa “Por que você publica?”. Uma coisa é o desejo de se expressar. Se fosse só escrever, todo mundo guardaria na gaveta o resultado. Outra é sofrer catando uma editora, fingindo que é uma pessoa interessante na vida real, todos aqueles passos necessários para ser publicado.

“Por que você publica?”, então? Bom, como estou arremessando conceitos próprios e chamando-os de universais, melhor me livrar de mais um, um que também acredito existir em todos os escritores que buscam ser publicados. A vaidade. Conscientemente ou inconscientemente ela está lá, nos empurrando rumo à publicação. O desejo de ser lido, discutido, considerado inteligente. Esperando que pessoas vão apontar na sua direção na rua e comentar “lá vai o escritor”. Ou ainda: a imagem mental de que lindas garotas (no meu caso – cada um com a sua imagem) vão todas aparecer para pedir autógrafos. Quem de fato já publicou sabe que não é assim: o público é a coisa mais heterogênea do universo, e lindas garotas definitivamente não são maioria. Pouco interessa. A vaidade inconsciente não segue critérios verossímeis. Mas, acidentalmente, toquei no assunto que eu queria chegar desde a primeira linha. Os leitores.

Sem mais delongas, eis a minha sincera, pessoal e verdadeira resposta ao “Por que você publica?” e, ao mesmo tempo, para “Por que você escreve?”. Pela resposta dos leitores. Pelo e-mail inesperado de um leitor que chega na pior das quartas-feiras dizendo que ficou terrivelmente emocionado lendo o meu livro. Que se identificou com um personagem, com uma situação, com uma frase. Que aquele romance fez com que o leitor se sentisse, por um momento, menos sozinho. Pouco o leitor imagina, ao mandar esse e-mail, que o autor também se sentiu menos sozinho naquele instante.

Todos sabem da irrelevância política e social de um ficcionista nos dias de hoje. No passado, livros podem ter mudado o mundo. Hoje, uma telenovela parece infinitamente mais poderosa. A resposta do leitor, no entanto, prova que existe uma comunicação possível através da escrita (através da arte, de qualquer forma de arte, seja cinema, música, pintura ou videogame).

Quando eu publiquei meu primeiro livro de contos, uma tímida coletânea cheia de histórias demasiado adolescentes, não imaginei que ia receber respostas desse tipo. (E o que me levou a publicar esse primeiro volume? Não sei, o tempo passa e a gente se esquece de como se sentia ou pensava em determinada época). Mas recebi e-mails, poucos, mas importantes. Foi um grande empurrão para continuar trabalhando. Agora, com um romance que empolgou mais gente, posso dizer que o desejo de me comunicar com o leitor é uma das principais forças-motrizes para publicar (o que acaba se estendendo para o desejo de escrever).

Posso dizer que a resposta negativa, curiosamente, também incentiva (e muito). Um crítico dizendo que todo aquele esforço não passa de uma porcaria injeta um desejo de se superar no próximo trabalho e provar que ele estava errado. Porém, nada supera a resposta espontânea do leitor, aquela que recupera a fé no poder da comunicação através da arte. Nada. Não hesito em dizer: é o que faz tudo valer a pena.


…supondo que, por algum motivo, tem interesse no que eu escrevo. De resto, esse post poderia muito bem se chamar “Formspring him”.

P: É um livro de contos ou um romance?

R: De contos.

P: Por que voltar aos contos?

R: Porque passei a revalorizar o gênero após leituras de Bolaño, Vila-Matas, Barth, Paley e outros. E também porque, por mais que eu esteja trabalhando em um romance, tive um surto de escrita de contos. Não conseguia parar de escrever. E qual a graça de ter uma editora independente se eu não posso publicar livrinhos como esse?

P: Editora independente. Então você não vai tentar publicar por uma maior?

R: Não esse livrinho, até porque sei que editoras grandes nunca se interessam por contos. Meu próximo romance é outra história, esse eu tentarei. Claro, há chances de eu nunca passar para uma grande e continuar tendo que bancar meus próprios livros. O que me levaria a desistir da brincadeira cedo ou tarde (de publicar, já que parar de escrever é meio impossível para mim).

P: Por que você se refere a ele como “livrinho”?

R: Por causa do tamanho. Será um livro pequeno. Terá uns 7, 8 contos. Claro, serão contos gorduchos, contos como antigamente, extensão Poe, não minicontos, apesar de alguns mais breves.

P: E tem unidade temática?

R: Não acredito em livro de contos sem isso. Só tem contos metaliterários nele, ou seja, uso a própria literatura para falar de literatura. O que é diferente de metaficção. Longa história. Em resumo: os contos giram em torno de leitores, escritores, editores. Essas coisas. Mas são divertidos, creio. Nada de academicismo e “livro para críticos”.

P: E quais as referências principais?

R: Os seguintes livros de contos metaliterários: Llamadas telefónicas, do Bolaño (primeira parte), Exploradores del abismo, do Vila-Matas, e Sonho interrompido por guilhotina, do Joca Reiners Terron. Todos tem mais ou menos a mesma unidade temática que busquei.

P: Quem será responsável pelo visual do livro?

R: O que mais me levou a querer publicar é essa parceria com a fotógrafa Ieve Holthausen, que vai produzir especialmente para o livro várias fotografias. Ela que fez a capa do Pó de parede e as imagens internas.

P: E aquele ensaio sobre o qual você falou aqui. Vai entrar no livro?

R: As primeiras reações ao ensaio foram: “muito chato” e “insuportável”. Não, não vai entrar. Meu plano é liberar ele em PDF mais além, para quem quiser. Acho uma boa companhia para os contos, ainda mais que menciona personagens ficcionais dos contos do livro.

P: Pode falar um pouco de algumas histórias do livro?

R: Duas garotas procuram um original perdido do Borges. Detetive literário busca descobrir onde se esconde Thomas Pynchon, baseado na suposição de que ele foi substituído por um fã. Um conto autoficcional sobre videogames e literatura. Estudante de jornalismo pensa em inúmeras possibilidades de encontro com escritor que admira. Cervantes é sacaneado por cientificistas e seu Quixote é reescrito. Paraplégico narra surgimento e fim de uma nova cena literária. E mais dois contos que ainda não decidi se entram.

P: Se eu detesto esses livrinhos umbiguistas que só ficam falando de literatura… eu deveria ler?

R: Não. E também não entendo o que você está fazendo nesse blog, já que vivo falando de Coetzee, Vila-Matas e companhia, gente que faz exatamente isso.

P: Ele já tem título?

R: Ele tem vários títulos, só não consigo me decidir qual. Um dos descartados foi: “A página assombrada por fantasmas”. Outro descartado foi: “Viagens ao redor da página”.

P: Quando sai?

R: Quero ter a versão final do livro, revisada, até fim de março. O plano é que saia, portanto, lá por julho de 2010.


Ontem, gravando uma entrevista, fui obrigado a revisitar meu primeiro livro. Não o Areia nos Dentes, o meu primeiro livro de contos, Entre, que escrevi no final da adolescência (dos 18 aos 20) e publiquei com financiamento da prefeitura aos 21, já me arrependendo.

Nos últimos anos (ou seja, desde que o livro saiu da gráfica), tenho vergonha dele. Acho muito mal escrito, muito adolescente, muito “do coração”, muito bibibi. Não comento sobre ele, não faço nenhum esforço para vender o livro. Entretanto, por algum motivo misterioso, o livro quase esgotou sua tiragem de 600 exemplares. Sobraram 20 aqui em casa e não sei quantos na editora.

Ontem, na entrevista que mencionei, fui obrigado a falar dele e a revisitar alguns dos contos. Tinha muita coisa que eu nem lembrava ter escrito e publicado. E, relendo uns trechinhos, notei que é um livro feito de muito boas idéias. Péssimas execuções, mas ótimas idéias. “De boas intenções o inferno está cheio”, eu mesmo disse. É, o livro passa essa frustração. Mas vejam só: #34 é um conto sobre, na crise da originalidade, tentar criar algo novo, então o narrador se propõe a inventar uma palavra com 34 caracteres aleatórios. Presos no fluxo da avenida é um conto com tintas metaficcionais: quando uma das personagens começa a escrever na sua caderneta, a história, até então realista, sofre uma virada fantástica (e tem zumbis). Sobre as máquinas é um conto não-linear onde as idas e vindas da narrativa são sinalizadas por Rewinds e Fast-Forwards. O Seu rosto é um conto sobre uma análise fenotípica de Jesus e Virgem Maria para tentar descobrir como era o rosto de Deus. E tem meu conto favorito ainda, Justaposição dimensional, que, bem, uso de uma narrativa de ficção-científica para dar conta de um enredo bem pé-no-chão. É o único com uma execução OK.

Ótimas idéias, péssimas execuções. Me faltava leitura na época para conseguir escrever um parágrafo que se salvasse. Me faltava experiência para dominar melhor a estrutura do conto.

Enfim. Eu tenho essas cópias aqui em casa. Não quero vendê-las. Quero doá-las. Alguém tem interesse? Os 10 primeiros que mandarem um e-mail para antoniocsx [arroba] gmail [pt] com ganham uma cópia de graça. Vou demorar para enviar, não tenho envelopes o suficiente aqui em casa. Só peço que o leitor tenha mente aberta e veja o livro como o que é: produto de um adolescente de imaginação fértil, nada mais nada menos.

[UPDATE] 16 pessoas responderam em 20 minutos. Mandarei para todos esses, mas deu, acabou. Obrigado a todos que se interessaram.


Dilema criativo

09/11/09 | Tags:

É bastate comum em um livro de “short stories” (vulgo contos) norte-americano ter um ensaio no meio do livro [isso em coletâneas criadas a posteriori com textos do autor]¹. Muito menos comum é isso aparecer em um livro brasileiro. Muito raro, inclsuive, é um autor brasileiro se dedicar ao gênero ensaio. O ensaio, aqui no país, fica mais restrito ao ensaio acadêmico, cheio de notas de rodapé e citações a Deleuze. Nada mais distante do ensaio literário, especialmente aquele estilo que eu muito admiro cultivado pelo David Foster Wallace, pelo Coetzee, e pelo John Barth.

Tive uma idéia muito bacana para um ensaio sobre crise da representação e literatura da exaustão e queria colocar no próximo livro de contos. Para dar um ar mais descontraído, cogito fazer um ensaio ficcional a la Coetzee/Vila-Matas.

Muito tiro no pé? O livro não ficaria muito menos acessível para o público leitor se tivesse um ensaio no meio?

Ao mesmo tempo: é um projeto meu, que sairá pela minha editora, com o meu dinheiro (que não retornará tão facilmente depois desse ensaio no meio hehe). Nada mais justo que incluir o ensaio se ele ficar bom e combinar com a unidade do livro (combinará, sim).

Pode parecer um dilema superado, “foda-se o leitor”, dizem os escritores. Mas eu gosto do leitor, gosto de tratar ele bem. E ensaio no meio de livros de contos é um estranho no ninho na literatura brasileira. Talvez por isso seja tão importante colocar ele lá.

Até eu dormir vou ter mudado de idéia só mais 74 vezes.

¹ Thx, Mojids.


Esse post estava planejado desde a criação do blog. Chegou o momento que muito adiei, mas que é inevitável. Hora de falar dos meus próximos projetos literários. Ou: vida pós-Areia. Como perceberam, há a tag “egocrap” ali para que o leitor identifique o tipo de post e evite.

Logo que publiquei o Areia nos dentes tentei pular para a escrita de um segundo romance, direto, sem escalas. Era uma história no espaço sideral e envolvia um casal de mulheres, o fim do mundo e guerras religiosas. Escrevi umas 20 páginas A4 da obra, que se chamaria O fim do mundo: um resumo. O que fiz com essas 20 páginas? Foram para o lixo, claro. Não só porque estavam medíocres, mas também porque o livro parecia Areia nos dentes 2. Foi nesse momento que ecoou a frase do Philip Glass, “mais importante que um artista encontrar a sua voz é ele perder a sua voz”, i.e., não se repetir ad infinitum, se recriar a cada obra.

Então fiquei uns vários meses sem escrever uma só linha, lendo muito e colhendo idéias. Comecei a escrever um segundo romance, que se passa nos dias de hoje, envolve relacionamentos fracassados, uma intelectual, um bebê morto, a cidade de São Paulo, e muita influência de Coetzee. Após 15 páginas, inscrevi o romance no Funarte (obviamente não ganharei) e batizei (porque fui pressionado a escolher um título para o concurso) o livro-a-ser-escrito de “As malditas perguntas”. Não é um bom título, eu sei.

O que aconteceu com esse romance? Desisti dele? Não, não, nada disso. Só não estou escrevendo ele agora. Por quê? Porque a leitura de três livros¹ me levou a querer escrever, sem parar, contos metaliterários. Escrevi eles por diversão, porque sentia vontade de brincar com isso, e tec-tec-tec, fui escrevendo (ainda estou com uns pela metade). Os contos ficaram bons, na minha opinião. Me considero melhor romancista do que contista, mas ali naquelas linhas tinham coisas bem legais. Em dúvida se publicava ou engavetava os contos, surgiu a Ieve, que procurava um tema para seu PGD (o trabalho de conclusão dos estudantes de design). Ao contrário de nós acadêmicos, a turma do design tem como trabalho final um trabalho de fato. O dela será, então, fazer uma edição luxuosa para meu livrinho de contos (uso o diminutivo porque é realmente pequeno o livro). Capa flexível, fotografias que ela vai tirar especialmente para cada conto, design primoroso, &c, &c.

Penso nesse livro como um EP. Assim como as bandas, nos dias de hoje, entre dois discos completos, com 12 músicas na média, lançam um disquinho curtinho com 4 faixas, entre dois romances, quero lançar esse livro de contos. Quem sabe como acontece com várias bandas, o livro não angaria uns fãs bizarros que vão jurar pelo resto da vida que aquele EP foi a melhor coisa já produzida? (risos) Além do mais, usei aqui o termo EP como metáfora porque EPs geralmente sinalizam a direção que a banda está tomando, conceitos que desenvolverá melhor no próximo LP. Acho que meu livro de contos será bem sintomático do rumo que seguirei no segundo romance.

O plano é que o livro de contos saia pela Não Editora na metade de 2010. O título? Assim que eu definir ele (estou entre 4 opções), comunico aqui.

Eu até gostaria que outra editora bancasse o livro de contos, porque pagar do meu próprio bolso para publicar é sempre arriscado, e nada indica que esse livrinho de contos venderá tão bem quanto meu Areia nos dentes². Mas dificilmente uma editora aceitaria um projeto gráfico de outrem já completo. Então nem vou tentar.

Já meu segundo romance, quando terminar de ser escrito, esse sim, tentarei publicar por outra. Sei que alguns vão me xingar de “vendido”, me acusarão de covarde, etc. E eles tem um mínimo de razão. O problema é que esse lance de “pagar para brincar” é complicado e pouco recompensador. Não dá para fazer isso a vida toda. Existe, claro, a enorme possibilidade de que nenhuma editora grande me publique. Daí talvez seja hora, então, de repensar umas coisas, de cogitar que eu talvez não tenha sido feito para essa tal de literatura. Não falo de deixar de escrever, isso para mim seria impossível, mas escrever para mim e só, talvez liberar os textos online, grátis. Parece um caminho, se tudo der errado. Mas pagar e sofrer para publicar não dá pra se fazer a vida toda. Existe também a possibilidade de que a Não cresça tanto que se torne uma grande editora. Quem apostaria que não?

¹ Os três livros são: Llamadas telefónicas, de Roberto Bolaño (embora eu pudesse mencionar um conto do Gaucho insufrible e outros do Putas asesinas), Exploradores del abismo, de Enrique Vila-Matas, e Sonho interrompido por guilhotina, de Joca Reiners Terron.

² Obrigado a todos que compraram, vocês me fizeram recuperar o investimento. Obrigado pela confiança, espero que o livro tenha dado algo em troca.


Acho meio palhaçada ficar falando de si e comentando resenhas no próprio blog, mas a verdade é que queria escrever umas linhas sobre a Copa, e queria mais do que os 140 caracteres do twitter. Para esse tipo de  post cirei a tag “egocrap”. São posts facilmente identificáveis e evitáveis, portanto.

Então. Tem a Copa de Literatura, certo? O “evento” virtual criado pelo sr. Murtinho que é uma espécie de prêmio com transparência. Não quer dizer que seja mais justo ou mais inteligente que qualquer outro prêmio, apenas que os autores e leitores ficam sabendo por quais motivos um livro ganhou e outro perdeu. É, portanto, uma proposta mui interessante. Ainda que, por parte do autor, exija maturidade para aguentar a crítica e, algumas vezes, a falta de educação dos comentadores. Tenho sérias dúvidas sobre minha maturidade.

O meu romance Areia nos dentes está participando da Copa de Literatura. Hoje saiu o resultado do primeiro jogo, onde ele enfrentou o mago Paulo Coelho. Você, leitor, pode pensar: 850 exemplares de Areia nos dentes vs. 200 mil exemplares da primeira tiragem de O vencedor está só. Ou: zumbis são facilmente aniquilados por um spell de um maguinho level 7 em qualquer RPG. Ou, um pouco mais realista, você, leitor, sabe que Pablo Conejo, Paul Rabbit, não é lá mui respeitado pela crítica, e que até um humilde (cof) romance de estréia tinha fartas chances.

Enfim, ganhei. Acho que a resenha do Fernando Torres fez uns comentários bem acertados sobre meu livro, a ver: a) é um romance de iniciante que peca, de fato, por excessos, e por querer mostrar todas as referências de música e cinema.  Esses dias folheei o livro e me deparei com uma referência totalmente gratuita a Terry Gilliam. Ah, a juventude; b) Ele captou tri bem a diferença estilística entre os dois eixos narrativos, não tinha visto isso em outra resenha ainda; c) Ele concorda comigo que a Parte 2 é bem melhor que a Parte 1. Como é agradável concordar com um crítico.

O futuro: enfrento Daniel Galera em jogo julgado pela Beatriz Resende, a famosa (e competente) crítica carioca. O curioso é que a leitura crítica que o Galera fez do primeiro tratamento do meu Areia foi das mais úteis. Pouco imaginava ele… O legal é que combinamos, eu e ele, que quem ganhar, paga uma cerveja(da) para o perdedor. Então não tem problemas em perder. Cá entre nós, acho que o Galera leva essa, e por mim tudo bem, embora eu considere Mãos de cavalo muito superior ao Cordilheira. Do contrário, serei interrompido na próxima fase, a semi-final, que tem o Dr. Plausível como árbitro. Tenho um histórico de discordar de 57,3% do que o Plausível fala, então acredito que buscamos coisas bem diferentes na literatura. “Que pessimista, como você tem tanta certeza que não chegará na final?”. Bom, eu realmente acho que meu livro não tem os colhões peludos o bastante para chegar lá, e, preciso confessar, tenho uma trampa. O Areia é o único livro de editora independente, certo? E eu sou sócio da editora, certo? Pois bem, se o livro tivesse chegado na final, o organizador da copa teria que pedir mais uns 10 exemplares do meu livro para os outros críticos (todos julgam a final). A editora, no caso, soy yo (e outros sócios) e eu ficaria sabendo. Sacana, não? ;)