Ó não! Como é ruim, através do twitter, o grande obituário digital, ficar sabendo da morte de algum escritor massa como é o David Markson. Para quem não conhece, Markson é autor do experimentalíssimo “Wittgenstein’s mistress”, que o Foster Wallace considera o ponto alto da ficção experimental norte-americana. Esse romance, o único que li do cara, é narrado por uma mulher no mesmo “formato” que o Tractatus Logico-philosophicus do Wittgenstein e, assim como a obra-base, faz do seu texto uma grande meditação sobre a relação entre linguagem e mundo.

Quem sabe com a morte do autor ele não ganha alguma fama e é traduzido para o português? Nah, isso é sonhar alto demais.

Triste, mas verdade: precisamos reconhecer que certos livros só interessam a uma fração muito ínfima de leitores e que esses livros não tem seu lugar nem no mercado “de nicho” previsto por teorias da cauda longa e otimistas em geral.