Não gosto da obra de Roland Barthes, mas julguei esse trechinho de O prazer do texto bem perspicaz:
“Compreendo que a obra de Proust é, ao menos para mim, a obra de referência, a mathesis geral, a mandala de toda a cosmogonia literária – como o eram as Cartas de Mme de Sévigné para a avó do narrador, os romances de cavalaria para D. Quixote etc.; isso não quer de modo algum dizer que sou um “especialista” em Proust: Proust é o que me ocorre, não é o que eu chamo; não é uma “autoridade”; é simplesmente uma lembrança circular. E é bem isto o intertexto: a impossibilidade de viver fora do texto infinito – quer esse texto seja Proust, ou o jornal diário, ou a tela de televisão: o livro faz o sentido, o sentido faz a vida.”
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Yes, the newspapers were right: snow was general all over Ireland. Sim, o Estadão estava certo: firmei contrato com a editora carioca Rocco (mais conhecida pelos leitores deste blog, talvez, por editarem Safran Foer; mais conhecida dos leitores em geral, talvez, por editarem J.K. Rowling). Eles relançarão o Areia nos Dentes, lançarão aquele livro de contos sobre o qual falei aqui, e ainda um romance vindouro. Ou seja, muito trabalho pela frente. Continuarei trabalhando na Não Editora, editando outros autores, enquanto isso.
O que espero dessa mudança? Acima de tudo, que meus livros cheguem a mais leitores, que viajem pelo Brasil e peguem um belo bronzeado.
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Como indica a foto ao lado (a primeira página do Areia bem rabiscada), estou trabalhando no Areia nos Dentes 2.0. Se eu tivesse escrito ele nos dias de hoje provavelmente seria um Areia Redux, com 100 páginas a mais. Mas calma, não farei isso na nova versão. Mudarei um par de coisas, porém não vou compor um livro novo, não é essa a intenção. Aceitar que não podíamos saber tudo na época que escrevemos pela primeira vez: eis aprendizado. Do contrário eu passaria até o fim dos meus dias retrabalhando toda e qualquer linha que já publiquei. Isso seria loucura. Não estou interessado em enlouquecer.
Ainda acerca do Areia, saiu talvez a “entrevista” + matéria definitiva sobre o monstrinho. Onde? Na Revista Wave. Aqui.
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Chega de auto-divulgação.
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Como pode o Hemingway contista ser tão distinto do Hemingway romancista?
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A opinião do César Aira (bom autor argentino, aprecio) sobre leitura, público leitor etc. me persegue muito. Não consigo discutir nenhum assunto similar sem lembrar dessa opinião-martelada. Segue a tradução do Sérgio Rodrigues dela:
Acho que a literatura não tem uma função importante na sociedade. Por outro lado acho que a literatura sempre foi e é e continuará a ser minoritária, para poucos. E acho que a literatura tem que ser opcional. Há muitos colegas meus pregando a obrigatoriedade da literatura. Fazer os jovens lerem. Não gosto disso. Na nossa sociedade tudo vai se tornando aos poucos obrigatório, deixemos a literatura ser uma atividade optativa. Leia quem quiser. Quem quiser ler terá muita felicidade na vida, mas não querendo ler também se pode ser muito feliz. Não sou um evangelista da leitura. Agora isso está na moda, promover a leitura. Há até fundações que se dedicam a isso. Suspeito que todos os que fazem tal trabalho, e ganham um bom dinheiro ao fazê-lo, nunca lêem. Nós que lemos não somos tão inclinados a promover a leitura. Talvez por já termos aprendido que é a atividade mais livre que alguém pode exercer.



