Lendo “O livro dos mandarins”, do Ricardo Lísias, me dei conta de uma relação possível de se traçar entre esse autor brasileiro e o André Sant’Anna. Não sou muito chegado em fofocas literárias, não sei se os dois se detestam de morte ou se um gosta da prosa do outro, tanto faz. Vejo uma relação bem clara entre os dois.
Pois. Tanto Lísias quanto André Sant’Anna tem um tique da repetição nervosa. Em André Sant’Anna, expressões são repetidas sem parar, como o “Mas não” de “O Paraíso É Bem Bacana”. Nesse livro em questão, a repetição de expressões também serve para identificar o narrador (o romance é composto de dezenas de narradores, nenhum deles identificado). Já nos contos de Sant’Anna, a repetição geralmente mostra um ponto nevrálgico do discurso do personagem/narrador. É algo incômodo que o narrador insiste em falar de novo e de novo. Já foi dito por muitos, e acho que estão certos: André Sant’Anna trabalha com a linguagem do preconceito. A repetição é um sintoma de algo que está errado, e esse sintoma é diagnosticado na linguagem.
Já Ricardo Lísias, no conto ótimo que publicou na Granta #2, parece desenvolver de forma embrionária a estratégia que desenvolveria no seu “Livro dos mandarins”. Estou bem no início do romance, então eu nem deveria estar falando nada, mas aqui estou eu falando e falando. Enfim. Lísias não trabalha com a repetição de expressões, mas com a multiplicação de nomes idênticos. Paulo, protagonista d’Os Mandarins, se depara com Paula, outra Paula, Paulinho, Paulson e outros. Esse uso dos “diversos Paulos” parece apontar para uma crítica da massificação da vida de executivo (um tema já trabalhado, curiosamente, por André Sant’Anna) e, por outro lado, para um narcissismo brutal. Apesar de narrado em terceira pessoa, o foco no Paulo-protagonista e em sua visão de mundo nos apresenta um universo repleto de variações de Paulos. Defina egocentrismo. Mais uma vez, o sintoma na linguagem.
Claro, eu posso estar completamente errado.

Já li muitos, muitos, muitos livros brasileiros lançados nessa década. De todos os que li, só talvez Mãos de Cavalo chegue perto do impacto emocional que me causou O paraíso é bem bacana, do genial André Sant’Anna. Eu já tinha lido a 

