Duas vezes João Carlos

1) Joca Terron, nos 7 anos da morte de Bolaño, traduziu o “Dicionário Bolaño” aqui, que é uma das melhores coisas que já li sobre o chileno. Confie em mim, eu já li muitas coisas sobre ele. É particularmente interessante porque esse dicionário acaba de vez com aquela visão que alguns tem do Bôla de típico latino esquerdista que só escreve sobre ditadura, visão geralmente causada pela leitura exclusiva de Amuleto e Detetives Selvagens.

2) Joca Terron lançou meu livro favorito até agora do projeto “Amores Expressos”. Seu “Agito no Egito”, agora conhecido como “Do fundo do poço se vê a lua”, me conquistou pelo narrador(a), pela prosa convincente deste. É raro unir lirismo e verossimilhança. Wilson/Cleópatra fez isso. Mas o que mais me agradou mesmo foi o primeiro capítulo, negócio de mestre. Lança trinta mil informações, todas incompletas. Ou seja: instiga o leitor ao limite. O leitor precisa saber mais, um pouco mais, de tudo, de todos os aspectos e fios que se abriram no início. O romance perde um pouco de fôlego no meio, mas a conclusão satisfatória nos faz esquecer disso (e também de alguns “fins de capítulo” meio bregas).

Alan Pauls disse, recentemente, que “o fim do romance” se tornou um gênero do romance. Terron, de certa forma, faz um livro sobre como não é possível falar mais nada de novo sobre o tema do duplo. Ao terminar a leitura do romance, porém, o leitor sai com a certeza de que “Do fundo do poço se vê a lua” encontrou algo novo, nem que seja um discurso sobre o “fim do duplo”. É um livro que merece uma releitura, uma análise minuciosa, e é por isso que eu o saúdo com tanta empolgação.

15/07/10 | Tags:


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1 comentário em “Duas vezes João Carlos”


Isadora

19/07/10

Realmente, preciso saber o que é que esse Bolaño tem. Minha meta para esse fim de semana vai ser enfrentar o 2666.


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