a) Quero falar da HQ “Cachalote”, de D. Galera e R. Coutinho. Não brincarei de resenha porque sempre surge um mala gritando “amiguinho mimimi”, mesmo quando eu tenho um longo histórico de dizer, sem receios, que não gostei quando, de fato, não gostei.
b) É interessante ver como o estilo do Galera é observável não apenas no texto, mas nos desenhos. Uma breve cena numa agência publicitária (ou seria uma produtora de cinema? – agora bateu a dúvida) podemos ver as descrições Galereanas na imagem, não só no texto.
c) Seria muito idiota, porém, pensar que DG escreveu o roteiro, com diálogos e descrições, e que Coutinho simplesmente “adaptou” o texto.
d) A impressão que passa é que o trabalho a quatro mãos foi de profunda simbiose. Rola uma “iluminação recíproca das artes”. O traço de Coutinho, o preto sobrecarregado em certas partes, como se deixassem cair um frasco de nanquim numa parte do quadro, diz muito sobre o texto do Galera. Mais do que “combinar com ele”, revela cantos obscuros.
e) Da mesma forma, é fácil ver como Coutinho, que também segue seu estilo, parece ganhar com a interação. Falei mais do “lado” do Galera porque entendo mais da questão textual do que da questão gráfica, mas reforço: é recíproco.
f) Terminando “Cachalote”, se sai com a sensação de que aquilo foi um esforço colaborativo que deu muito certo. Olhando a foto dos dois no jornal, quase pensamos que Galera e Coutinho são gêmeos ou döppelgangers, William e Wilson. Um desenhista diferente poderia ter cagado tudo e vice-versa. Ainda bem para nós, leitores, que os sósias se encontraram.




5 comentários em “Simbiose”
Amanda
06/07/10TO TENTANDO IMAGINAR QUAL DOS DOIS É O TRAVESTI.
Antônio Xerxenesky
06/07/10Hahaha! A referência William e Wilson foi pro Poe mesmo, mas admito que usei pra fazer dupla-piada com o romance “O Agito No Egito” do Joca.
Kelli
07/07/10Olá! Eu também estou terminando “Cachalote”. É uma verdadeira obra-prima.
Victor Lisboa
09/07/10Li nesse findi. Não fiz resenha porque a vida 3D atropelou minha vida virtual. Como não conheço o Galera pessoalmente, não vai ter marrento para dizer que to pagando pau pra miguinho. E adianto: posso dizer que coloco Cachalote ao lado de Fun Home entre aquelas poucas obras de quadrinhos “não comerciais” que eu apresentaria a alguém que não conhece coisa alguma da nona arte e precisa sacar todo o seu potencial narrativo, rivalizável com o cinema e a literatura.
Amanda
14/07/10terminei de ler, na semana passada ainda, e ainda estou pensando se escrevo ou não sobre Cachalote no meu blog. acho que vou ler uma segunda (ou terceira, ou quarta…) vez até escrever de fato.
mas, resumindo: gostei bastante!