Minha colega de mestrado, Vivian Nickel, trabalha com “estudos de trauma” e “narrativas de testemunho”. Hoje, ela apresentou parte da pesquisa dela e mostrou um site da Yale que compila vídeos de alguns testemunhos. Essa linha estuda narrativas (literárias ou não) onde o próprio narrar é usado para tentar superar (ou melhor: conviver com) um trauma (geralmente associado a guerras, violência etc.). Ela exibiu os três minutos finais (de 10:00 em diante) do vídeo linkado mais abaixo para a turma. Nossa. Terrivelmente impressionante.
O holocausto já foi tão trabalhado e retrabalhado e abusado pela ficção e pelo cinema, que a primeira coisa a se pensar é que não há nada mais a se dizer sobre o tema. A narrativa do sobrevivente abaixo é concluída com uma reflexão sobre a linguagem (trecho que ela nos mostrou), que basicamente diz que todas representações sempre fracassarão, que é impossível narrar. A nossa linguagem simplesmente não dá conta da experiência.
http://www.youtube.com/watch?v=SFr7GiWtk5k (é o link – preferi não anexar uma janelinha ao blog para não deixar a página pesada)
A minha pergunta para ela foi: seria possível trabalhar com Matadouro 5, do Kurt Vonnegut?




2 comentários em “Narrativas de testemunho”
Leonardo Petersen Lamha
24/06/10Cara, tem um documentarista, o Harun Farocki, que trabalha em praticamente todos os filmes dele essa questão da representação, no caso dele através das imagens. Em todo filme ele meio que questiona as imagens que mostra. O Alan Resnais também fala sobre o mesmo assunto no documentário dele sobre o Holocausto, “Noite e Neblina’”.
Tudo isso eu fui descobrindo em um curso que o João Moreira Salles ministra no Rio.
To trabalhando num ensaio que trata exatamente dessa questão no Maus do Spiegelman, pra aula do João. Quando tiver pronto eu posto, se tu tiver interesse…
Comecei a ver os links que tu passou quando me lembrei disso tudo. Realmente interessantes. E parabéns pelo blog em geral. Primeira vez que venho aqui. Seus posts são ótimos.
Antônio Xerxenesky
24/06/10Oi, Leonardo! Em primeiro lugar, obrigado pelo elogio!
Também pensei em “Maus”, do Spiegelman, quando a minha colega apresentou o tal trabalho. Pelo que entendi, os estudos de trauma nas faculdades de letras são muito focados em relatos realistas (até quando se trata de ficção). Acho que “Maus” e “Matadouro 5″ seriam exceções da regra interessantes de analisar.
Qual exatamente é a tua área? E sim, eu adoraria ler esse ensaio teu. Um abraço.