Todo mundo mais ou menos interessado em literatura já ouviu falar da “Teoria do iceberg”, do Hemingway, que só partezinha do iceberg tá em cima d’água, ele esconde a maior massa. Ou seja, na literatura, muitas vezes vale mais o não-dito do que o dito. Bom, era só isso o que eu sabia sobre a teoria. Recentemente, graças a uma releitura de Hemingway (mestre), investiguei o Wiki dele e descobri a citação onde se menciona a teoria. Traduzo aqui:
“Se um escritor de prosa sabe o bastante sobre o assunto do qual está falando, ele pode omitir coisas que sabe e o leitor, se o escritor está escrevendo de forma verdadeira o bastante, sentirá essas coisas com tanta força como se o escritor as tivesse afirmado. A dignidade do movimento de um iceberg existe porque apenas um oitavo dele está acima d’água. Um escritor que omite coisas porque não as conhece apenas cria lugares vazios na sua escrita.”
Ei, essa é uma dica interessante, né não?
Ao mesmo tempo, fico pensando em todos os ataques que Hemingway recebeu justamente por escrever dessa forma (foi chamado até de anti-semita por causa do O sol também se levanta). Se tivesse dito as coisas claramente, teria se poupado de muito cansaço. Por outro lado, teria feito a prosa mais desinteressante de todas.




5 comentários em “Hemingway e os icebergs”
Kelvin
01/03/10Olá, X.
Quanto ao Hemingway, só sei que ele mediu o pau do Scott Fitzgerald no banheiro do Des Fleurs.
Quanto ao Marías, só sei que tenho que ler mais da obra dele, se possível toda – é o mínimo que posso fazer se quiser comparar com a obra do V-M, com a qual tive a gentileza de esgotar.
Sei também que um cruzamento dessas retomadas que ambos fazem das próprias obras dá bastante pano pra manga.
Bruno Mattos
02/03/10De acordo com essa teoria, naturalmente, Pynchon é a wikipedia + enciclopédia britânica + Oxford.
Lídia
02/03/10Qualquer dia desses eu tentarei chegar, pelo menos, na página 20 do “Por quem os sinos dobram”.
tiago a.
04/03/10Ô, Xerxes, deixa eu mandar um oi pra Kelvin?
Oi, Kelvin!
Rodrigo D.
07/03/10As dicas literárias sempre dão problema. Basta lembrar o tal nocaute ou a história oculta dos contos. A coisa acaba virando um lugar-comum. Claro que não por culpa do autor da dica, mas é o que costuma acontecer. A bem lembrada citação de Hemingway é um exemplo: parece que as pessoas não lêem a afirmativa final.