Folha – Em um trecho de “Doutor Pasavento” está escrito: “(…) penso no pouco saudável que, no fim das contas, foi publicar livros e tê-lo feito, em grande parte, para ter certa fama e depois poder administrá-la como um bom burguês e acabar dizendo banalidades em jornais e revistas, incapaz de ser o dono da mais ínfima partícula de terreno de índole privada, pessoal. Escrever é para isso”. O que fazer para que seja diferente?
Vila-Matas - Isso delineia um tema: em todo escritor verdadeiro há sempre um autêntico medo de ser descoberto como um não-escritor verdadeiro, que alguém conheça seus defeitos. Quanto mais verdadeiro e mais autêntico é, mais medo tem de ser descoberto.
Penso também numa frase de Elias Canetti, que diz que todo escritor famoso é um vencedor burguês que está ocupando o lugar de um escritor autêntico, de um escritor que está ausente. É terrível porque, na verdade, eu sempre entendi que o autor de sucesso suplantava o escritor de verdade, que era outro. Mas penso que pode ser que também suplante a ele mesmo, escritor, que só seria livre se não tivesse o nome que alcançou. Para isso, de todo modo, há também a solução de escrever com pseudônimo e voltar ao começo, escrever com toda a liberdade.
Reli “Doutor Pasavento” para uma resenha no Jornal do Brasil. Já escrevi a resenha, mas só colocarei no blog quando tiver liberdade para tal, ou seja, depois de sair impresso no jornal.
Depois de ler essa entrevista senti vontade de mudar algumas coisas no meu texto, mas não. Mudar uma opinião por causa do que o autor fala sobre seu próprio livro não parece recomendável. Como dizia uma velha amiga minha, os livros não vem com “pocket writer” junto para te explicar o significado das coisas ou para te apontar caminhos de leituras.




3 comentários em “Vila-Matas para a Folha de São Paulo”
Pelicano, o Felizardo
01/03/10“Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.” “Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.”
“Estou me aproximando de Clarice Lispector, que é uma escritora que me fascina.”
Antônio Xerxenesky
01/03/10Gringo, Mojo, sabe como é.
tiago a.
04/03/10Mojo, por favor, devolva minha alma.