Estou no Uruguai com acesso limitado a Internet. Isso explica minha ausência por aqui.
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Além de estar lendo alguns originais que prometi há décadas para amigos e para a Não, li Corazón tan Blanco, do Javier Marías, que serve como uma espécie de prelúdio ao Seu rosto amanhã, por compartilhar personagens e temas. Não obstante, Corazón funciona perfeitamente como uma obra em si (foi pensada assim) e me parece o ponto de partida ideal para alguém que quer experimentar um só livro do Marías. De fato, com tantos críticos na orelha chamando o livro de obra-prima, até me sinto mais tranquilo de usar esse termo tão batido. Que livro! Marías é digressivo, inconclusivo. Usa uma mescla de ensaio e ficção, como boa parte da tradição hispano-hablante. Em muitos momentos me lembra um Lobo Antunes mais acessível, mais narrativo. Quando notei que faltavam só 50 páginas para terminar o Corazón me deu uma dor. Passei a ler mais lentamente cada página, na esperança de que o livro durasse mais. Mas acabou. Tem escritores desse tipo, criadores de uma prosa tão deliciosa e crocante que podem estar falando de qualquer assunto, ainda assim continuarão interessantes. Javier Marías escrevendo sobre a história das listas telefônicas seria interessante. Sem brincadeira. Então logo que terminei comprei mais dois livros do cara, até porque aqui um livro dele sai 19 reais. Que eu saiba o Corazón tem em português em edição pocket da Cia. Das Letras. Não ler me parece criminoso.
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Estou lendo agora também Salvatierra, romance recente do argentino Pedro Mairal. O estilo do Mairal me lembra muito o do Daniel Galera, o que não deixa de ser engraçado, pois tenho quase certeza que um não leu o outro e vice-versa. Mais comentários sobre o livro do Mairal quando eu terminar a leitura.
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Macedonio Fernández é um fantasma. Estou tentando comprar seu romance Museo de la novela de la eterna e não acho em lugar algum, nem sob encomenda. Socorro.
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Os dias estão nublados, o que favorece a leitura. Tem uma sacadinha agradável boa de sentar e escrever. No free shop comprei um punhado de cervejas maravilhosas que só experimentaria com preços reduzidos, como foi o caso. Destaco especialmente a Fuller’s Discovery, uma blonde riquíssima de sabores. Leve, refrescante e ao mesmo tempo intrigante. Como uma música pop bem grudenta e ainda assim criativa e original.
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Cuidem-se.




2 comentários em “Rapidíssimas (II)”
Delfin
10/05/10O Museo… é um dos livros mais imponentes que já li. No começo achei que ia me deparar com algo a la Campos de Carvalho, mas é muito mais poderoso. Espero que tenha achado.
Antônio Xerxenesky
10/05/10Achei sim, Delfin, graças ao Sarmatz (sabe muito)