Fim de década, sabe como é, o desejo de compor listas de melhores se torna irresistível. Por mais que as listas tenham se tornado um acessório indie (e portanto besta), gosto delas na maneira como fixam/registram preferências e opiniões de uma época. Obviamente minhas listas mudariam (muito) de ano a ano caso eu me propusesse a fazer uma nova sempre. Essa transitoriedade faz de todas listas capengas, porém, ao mesmo tempo, é o que faz delas charmosas. Inspirado pela lista recente do Michael Love de livros da década, também crio a minha. Mas não faço com base em “lançamento no país”, mas sim em lançamento no mundo. E não permito repetição de autores. Sem mais enrolação, meus livros favoritos (o que é diferente de MELHORES) da década de 2000:
1) 2666, Roberto Bolaño
2) Reparação, Ian McEwan
3) Against the Day, Thomas Pynchon
4) O animal agonizante, Philip Roth
5) O passado, Alan Pauls
6) Onde os velhos não têm vez, Cormac McCarthy
7) Diário de um ano ruim, J.M. Coetzee
8 ) Paris não tem fim, Enrique Vila-Matas
9) Cloud Atlas, David Mitchell
10) História do amor, Nicole Krauss
11) Flores, Mario Bellatin
12) The whole story and other stories, Ali Smith
13) As correções, Jonathan Franzen
14) The brief wondrous life of Oscar Wao, Junot Díaz
15) Mãos de cavalo, Daniel Galera
16) Os lados do círculo, Amilcar Bettega
17) Extremamente alto e incrivelmente perto, Jonathan Safran Foer
18) The last samurai, Helen DeWitt
19) O filho eterno, Cristovão Tezza
20) House of leaves, Mark Z. Danielewski
21) Cosmópolis, Don DeLillo
22) Sem sangue, Alessandro Baricco
É inacreditável a quantidade de livros que fui pesquisar e descobri que foram lançados em 99. Naba. Ou então autores cujas fases que gosto estão todas na década de 90, como Paul Auster.




13 comentários em “Listas da década, parte 1 – Livros”
Carol
17/11/09O sorriso de óculos de sol no lugar do oito é alguma mensagem a ser decifrada?
Antônio Xerxenesky
17/11/09Hahah! O Wordpress interpretou “8″ + “)” como emoticon disso…
Breno Kümmel
17/11/09E viva o Rio Grande do Sul!
(brincadeira, também acho esses dois livros os melhores lançados de literatura brasileira nessa década)
Nem curti muito o house of leaves. Da mistura de Borges e Stephen King saiu mais Stephen King.
Samir
17/11/09Tu praticamente pede desculpas por estar fazendo uma lista e então faz uma lista. Sério, pode só colocar a lista, não precisa se justificar pro mundo – todo mundo gosta de listas.
Antônio Xerxenesky
17/11/09Breno: também pensei “ih, dois gaúchos”. Mas revisitei toda minha bibliografia de autores brasileiros da década (que é BEM GRANDE) e os dois realmente são destaques. O DG é tecnicamente paulista, de qualquer forma.
Samir: É, eu tenho esse hábito bem desagradável de pedir desculpas por tudo. E tem muita gente que odeia listas.
Antônio Xerxenesky
17/11/09Breno: ah, e acho Cosmópolis e House of Leaves “legaizinhos”, mas nada de ligar pra mãe. Coloquei mais porque estava tentando chegar ao 20. Não queria lotar também de novos autores brasileiros, porque todo mundo sabe que isso dá dor de cabeça, especialmente quando surgem as reclamações dos que não entraram na lista.
Leandro Oliveira
19/11/09“Seu Rosto Amanhã” do Marías entra no meu top 10, mas é uma excelente lista.
Antônio Xerxenesky
19/11/09Leandro! Bom te ver por aqui. Tenho “Seu rosto amanhã”, mas ainda não li. Os que li do Marías são todos de outras décadas, hahaha!
Breno Kümmel
22/11/09Já leu Contos de Pedro, do Rubens Figueiredo? É meio irregular (livro de contos…) mas tem um conto sensacional, daqueles de nunca esquecer (“Uma questão de lógica”, o título).
Breno Kümmel
22/11/09Ah, esqueci, e o Youth, do Coetzee? Não entrou por conta do Diário de um ano ruim? A leitura de Youth me impediu de realmente admirar O Filho Eterno.
Antônio Xerxenesky
22/11/09BK: não li os Contos de Pedro, mas li Youth. Adoro Youth mas não me FUSTIGOU A ALMA como Diário de um ano ruim. Outra hora escrevo um post sobre o Diário, acho o mais fabuloso Coetzee dos cinco que li e muita gente não dá bola pra ele (Zadie Smith chamou ele de “anêmico”!)
Clarice Saadi
27/11/09Listas me deixam nervosa: só li 6 desses 22, PRECISO CORRER ATRÁS! haha
Mas admiro quem as faz, sou patologicamente incapaz de fazer lista de coisas preferidas.
Fora que as minhas seriam o contrário da sua: autor repetido a rodo (anedota: na estante mais bonita da sala nova, cada um ficou com um lado para colocar em destaque livros dos quais gostasse. Lucas na maior diversidade coloca seus livros preferidos, em 4 línguas diferentes, 1 ou 2 no máximo de cada autor, desde Christian de Troyes até Dawkins. Minha estante: TODO Auster, TODO McEwan etc. haha)
Alberto Lung
02/09/10Que bonito ver Safran Foer na lista. Ele é muito criticado. Ele também é muito prepotência. Mas quando li, senti.