Cap. II: onde zumbis vencem magos e muitas peripécias são profetizadas pelo vidente caolho

Acho meio palhaçada ficar falando de si e comentando resenhas no próprio blog, mas a verdade é que queria escrever umas linhas sobre a Copa, e queria mais do que os 140 caracteres do twitter. Para esse tipo de  post cirei a tag “egocrap”. São posts facilmente identificáveis e evitáveis, portanto.

Então. Tem a Copa de Literatura, certo? O “evento” virtual criado pelo sr. Murtinho que é uma espécie de prêmio com transparência. Não quer dizer que seja mais justo ou mais inteligente que qualquer outro prêmio, apenas que os autores e leitores ficam sabendo por quais motivos um livro ganhou e outro perdeu. É, portanto, uma proposta mui interessante. Ainda que, por parte do autor, exija maturidade para aguentar a crítica e, algumas vezes, a falta de educação dos comentadores. Tenho sérias dúvidas sobre minha maturidade.

O meu romance Areia nos dentes está participando da Copa de Literatura. Hoje saiu o resultado do primeiro jogo, onde ele enfrentou o mago Paulo Coelho. Você, leitor, pode pensar: 850 exemplares de Areia nos dentes vs. 200 mil exemplares da primeira tiragem de O vencedor está só. Ou: zumbis são facilmente aniquilados por um spell de um maguinho level 7 em qualquer RPG. Ou, um pouco mais realista, você, leitor, sabe que Pablo Conejo, Paul Rabbit, não é lá mui respeitado pela crítica, e que até um humilde (cof) romance de estréia tinha fartas chances.

Enfim, ganhei. Acho que a resenha do Fernando Torres fez uns comentários bem acertados sobre meu livro, a ver: a) é um romance de iniciante que peca, de fato, por excessos, e por querer mostrar todas as referências de música e cinema.  Esses dias folheei o livro e me deparei com uma referência totalmente gratuita a Terry Gilliam. Ah, a juventude; b) Ele captou tri bem a diferença estilística entre os dois eixos narrativos, não tinha visto isso em outra resenha ainda; c) Ele concorda comigo que a Parte 2 é bem melhor que a Parte 1. Como é agradável concordar com um crítico.

O futuro: enfrento Daniel Galera em jogo julgado pela Beatriz Resende, a famosa (e competente) crítica carioca. O curioso é que a leitura crítica que o Galera fez do primeiro tratamento do meu Areia foi das mais úteis. Pouco imaginava ele… O legal é que combinamos, eu e ele, que quem ganhar, paga uma cerveja(da) para o perdedor. Então não tem problemas em perder. Cá entre nós, acho que o Galera leva essa, e por mim tudo bem, embora eu considere Mãos de cavalo muito superior ao Cordilheira. Do contrário, serei interrompido na próxima fase, a semi-final, que tem o Dr. Plausível como árbitro. Tenho um histórico de discordar de 57,3% do que o Plausível fala, então acredito que buscamos coisas bem diferentes na literatura. “Que pessimista, como você tem tanta certeza que não chegará na final?”. Bom, eu realmente acho que meu livro não tem os colhões peludos o bastante para chegar lá, e, preciso confessar, tenho uma trampa. O Areia é o único livro de editora independente, certo? E eu sou sócio da editora, certo? Pois bem, se o livro tivesse chegado na final, o organizador da copa teria que pedir mais uns 10 exemplares do meu livro para os outros críticos (todos julgam a final). A editora, no caso, soy yo (e outros sócios) e eu ficaria sabendo. Sacana, não? ;)

22/10/09 | Tags: ,


9 comentários em “Cap. II: onde zumbis vencem magos e muitas peripécias são profetizadas pelo vidente caolho”


Bruno Mattos

22/10/09

Título da série “hoje acordei meio Pellizzari”.
Tramposo.

Antônio Xerxenesky

22/10/09

Hahaha, foi um título em homenagem ao blog do caralho que o Mojo manteve nos seus poucos dias em Dublin. O esquema de usar nota de rodapé em posts de blog também roubei de lá. Quer dizer, uso nota de rodapé em trabalhos e alguns continhos, mas foi o blog dublinense que me deu coragem de repetir aqui também.

Daniel Galera

22/10/09

Peraí, aposta não era do perdedor pagar o trago do vencedor? Já esqueci. De repente a gente só combina um trago e racha a conta, no matter what. Desejo uma derrota contundente pra ti. ABRASSO.

Antônio Xerxenesky

22/10/09

Claro que não, daí o perdedor é consolado pela cerveja. Clack.
Mas prefiro o esquema trago-rachar-conta-tanto-faz.
Meus zumbis comerão o feto não-nascido da barriga da Anita. s/m

Pellizzari

23/10/09

Pior que eu li o título do post e pensei “caralho, que familiar”.

“Deixa de ser narcisista” veio em seguida. Aí relaxei.

Te odeio.

tiago a.

27/10/09

Eu ia te dizer que tu fez um péssimo negócio em apostar QUALQUER COISA com Galera–eu apostei com ele, por ocasião daquele SAPECA IAIÁ que o SPFC deu no Grêmio, nos idos do PRIMEIRO TURNO, que aquele cujo time fosse derrotado completava a alegria do outro presenteando-lhe com um livro, e até hoje que eu espero meu mais que merecido Cordilheira–, mas agora vi no COMENTE que ficou tudo em casa, então ok, tá bom. :)

tiago a.

28/10/09

Ops, retiro o que disse: encomenda acabou de chegar lá em casa. Valeu, Daniel! :)

luizgusmao

28/10/09

olha, eu só tinha vista essa combinação de zumbis e faroeste antes uma vez, aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=zYthOBefHMM&feature=player_embedded

vamos conferir…

[...] Bensimon. Depois seguiram-se: Areia nos Dentes, de Antônio Xerxenesky (leia minha resenha aqui e o que o autor disse sobre ela aqui), A virgem que não conhecia Picasso, de Rodrigo Rosp, Raiva nos Raios de Sol, de Fernando Mantelli [...]


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