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	<title>Antônio Xerxenesky</title>
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		<title>Egopress salvaje (XVII)</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 23:04:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Duas coisas.
a) Já está nas livrarias a reedição do Areia nos Dentes pela Rocco. Os detalhes sobre essa segunda edição (vulgo Areia 2.0 ou Areia Redux) estão aqui. Muita gente achava que o livro ia ficar mais caro saindo por uma editora grandona. Enganaram-se, o romance ficou mais barato. 24 realitos. A capa do Samir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas coisas.</p>
<p>a) Já está nas livrarias a reedição do <a href="http://www.rocco.com.br/shopping/ExibirLivro1.asp?Livro_ID=978-85-325-2592-2">Areia nos Dentes pela Rocco</a>. Os detalhes sobre essa segunda edição (vulgo Areia 2.0 ou Areia Redux) <a href="http://blog.antonioxerxenesky.com/?p=567">estão aqui</a>. Muita gente achava que o livro ia ficar mais caro saindo por uma editora grandona. Enganaram-se, o romance ficou mais barato. 24 realitos. A capa do Samir ganhou um prolan bem legal de se ver ao vivo e ficar brincando de reflexo na luz.</p>
<p>b) O Bolívar Torres, editor do Caderno B do Jornal do Brasil, dono de um dos melhores twitters da rede e agora colaborador do Portal Literal iniciou uma série de entrevistas sobre literatura e games. Não preciso nem dizer o quanto eu acho um projeto desses legal e necessário. A primeira pessoa entrevistada foi a Simone Campos, a segunda fui eu. O resultado<a href="http://portalliteral.com.br/blogs/sobre-autores-e-games-2-antonio-xerxenesky"> tá aqui</a>.</p>
<p>Perdoem o egopress, juro que ruborizo ao postar essas coisas. Vou lá me dar setenta e duas chibatadas e postar sete posts sobre livros dos outros para me recuperar.</p>
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		<title>Até onde?</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 00:33:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[alan pauls]]></category>

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		<description><![CDATA[Lendo &#8220;Historia del Pelo&#8221;, mais novo romance do argentino Alan Pauls, me perguntei: até onde alguém pode ir com uma metáfora? Os termos se complicam e surge uma vontade absurda de chamar de &#8220;alegoria&#8221;, mas não. Até porque nada mais queimado, nada mais desprezado, do que um romance alegórico, aquele que se reduz a um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo &#8220;Historia del Pelo&#8221;, mais novo romance do argentino Alan Pauls, me perguntei: até onde alguém pode ir com uma metáfora? Os termos se complicam e surge uma vontade absurda de chamar de &#8220;alegoria&#8221;, mas não. Até porque nada mais queimado, nada mais desprezado, do que um romance alegórico, aquele que se reduz a um &#8220;somente isso&#8221;.</p>
<p>No seu mais novo romance, Pauls fala sem parar sobre o cabelo. Cortes de cabelo, cabelereiros, salões. O tempo todo pensamos que é uma metáfora para algo, para a história, para a história da argentina, para os relacionamentos, para os seres humanos. E talvez em uma entrevista ele esclareça tudo, não sei. Talvez no final do livro tudo fique claro, ainda não sei (estou na pg. 110). Todavia, Pauls continua falando do cabelo. Do cabelo do protagonista, dos outros. Do ato de cortar o cabelo, do ato de raspar o cabelo. É uma metáfora, OK, talvez seja uma alegoria. Mas até onde pode alguém levar uma metáfora?</p>
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		<title>Citação preferida</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 01:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lembro dela nos momentos mais inesperados.
“Somos como os outros nos vêem, concordo. Eu, porém, resisto a aceitar  tamanha injustiça. São anos tentando ser o mais misterioso, imprevisível  e reservado possível. São anos tentando ser um enigma para todos. Para  isso, com cada pessoa adoto uma postura diferente, procuro fazer com que  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lembro dela nos momentos mais inesperados.</p>
<p>“Somos como os outros nos vêem, concordo. Eu, porém, resisto a aceitar  tamanha injustiça. São anos tentando ser o mais misterioso, imprevisível  e reservado possível. São anos tentando ser um enigma para todos. Para  isso, com cada pessoa adoto uma postura diferente, procuro fazer com que  não haja duas pessoas que me vejam da mesma maneira. Sem dúvida, essa  esforçada tarefa se está revelando inútil. Continuo sendo como os outros  querem me ver.”</p>
<p>Enrique Vila-Matas, <em>Paris não tem fim</em>.</p>
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		<title>Um inferno pessoal</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 12:50:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[bret easton ellis]]></category>
		<category><![CDATA[crítica literária]]></category>

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		<description><![CDATA[Publiquei um artigo longo que traça uma panorâmica da obra completa do autor norte-americano Bret Easton Ellis, um dos escritores mais ignorados pela crítica e detestados por alguns leitores. Acabou sendo matéria de capa do Idéias &#38; Livros do Jornal do Brasil, uma das últimas edições impressas do jornal. O JB vai deixar saudade, pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publiquei um artigo longo que traça uma panorâmica da obra completa do autor norte-americano Bret Easton Ellis, um dos escritores mais ignorados pela crítica e detestados por alguns leitores. Acabou sendo matéria de capa do Idéias &amp; Livros do Jornal do Brasil, uma das últimas edições impressas do jornal. O JB vai deixar saudade, pelo menos para mim. Como sempre, segue cópia do artigo na íntegra abaixo. Versão online <a href="http://jbonline.terra.com.br/leiajb/2010/08/21/carro_e_moto/um_inferno_pessoal.asp">aqui</a>.</p>
<p>Um inferno pessoal</p>
<p>Antônio Xerxenesky</p>
<p>O caso de Bret Easton Ellis é peculiar: o escritor californiano tornou-se um sucesso de vendas desde o primeiro livro (“Abaixo de Zero”) e assim se mantém até hoje. Seus romances continuam sendo publicados por editoras de prestígio, são amplamente traduzidos e três deles já foram adaptados para o cinema (sem contar a adaptação do livro de contos “Os Informantes”). Não obstante, a crítica literária dita “séria” nunca deu muita atenção ao escritor depois da sua explosão inicial nos anos 80. Até aí não há nada de peculiar ou diferente: o que pode ser mais comum do que um best-seller ignorado pelos leitores sérios? Entrando em contato com a prosa do autor é que o fenômeno se torna curioso. Ellis é violento demais, prolixo demais, experimental demais para se encaixar em uma literatura <em>pop</em>. Por outro lado, sua temática, geralmente focada sobre a vida de ricaços e celebridades, e seu estilo, ausente de reflexões profundas, fazem de Bret Easton Ellis um estranho na biblioteca dos acadêmicos. Com o lançamento norte-americano de “Imperial Bedrooms”, narrativa na qual o autor retoma os personagens do seu primeiro romance 25 anos depois (e, de certa forma, encerra um ciclo), cabe fazer um balanço de sua atípica carreira.</p>
<p>Parece fácil atribuir o epíteto de “romance de geração” para “Abaixo de Zero”, a estréia literária de Ellis. Publicado originalmente em 1985, o livro acompanhava o cotidiano de estudantes endinheirados recém saídos da adolescência. Narrado em tom frio, como se desligado de sentimentos, retratava uma geração obcecada por consumo, sexo e drogas, porém muito distante do sonho hippie das décadas anteriores. O amor livre propagado a partir dos anos 60 dá espaço a uma promiscuidade desumana em “Abaixo de Zero”. Os jovens trocam de parceiro como quem troca de carro: personagens se confundem, tamanha a semelhança das suas opiniões e comentários, e nenhum deles jamais lembra quem já dormiu com quem. As drogas, que tinham uma função recreativa e de “expansão de consciência” nos anos da psicodelia, passam a mostrar seu lado sombrio: o vício e os danos físicos e mentais. Os anos 80, mais que uma década, parecem um lugar, um pequeno inferno do qual o narrador não consegue sair.</p>
<p>Relendo a obra nos dias de hoje, fica fácil rotular Ellis como um moralista (título esse que o próprio autor se dá). Na época, porém, “Abaixo de Zero” foi lido de formas muito diversas. Se, por um lado, jovens leitores viram nele uma celebração do que há de <em>cool</em> na década de 80, por outro, alguns críticos reclamaram da inverossimilhança da trama. “Essas pessoas não existem! Ninguém é tão rico e estúpido!”, argumentava uma resenha do Details de 1985. Bret Easton Ellis, nos dias de hoje, uma época de “Paris Hiltons”, gargalha desse tipo de comentário. “Abaixo de Zero”, então, talvez fique na história mais como “profético” do que como um “retrato de uma geração”.</p>
<p>“Imperial Bedrooms”, seu livro mais recente, cuja tradução sairá em breve pela Editora Rocco, retoma todos os personagens de “Abaixo de Zero” e mostra que muito pouco mudou. Agora os protagonistas passam o tempo trocando e-mails e mensagens de texto do seu iPhone, mas, à parte do meio de comunicação, o conteúdo permanece no mesmo vazio. Se a sociedade dos anos 80 era a da ganância e do consumo, a atual é a da informação, que, na visão de um livro de Ellis, obviamente ganha tons sombrios. Iniciando como uma espécie de romance policial noir, “Imperial Bedrooms” se desenrola com base na paranóia, que distorce os limites entre realidade e imaginação (tema recorrente em toda sua obra: basta ler “Glamorama” ou “Lunar Park”). A violência desmesurada, que surge num repente na narrativa, confirma o pessimismo da prosa do autor. Ao lermos as últimas linhas de “Imperial Bedroom”, não é possível enxergar nem um mínimo de resquício do que poderia ser interpretado como “glamour” (algo que ainda era observável, ainda que de forma recalcada, em “Abaixo de Zero”).</p>
<p>Tomando o primeiro livro do autor e este último como referência, parece que se constrói uma visão panorâmica da obra de Ellis. Terrível engano. O californiano não se deixa catalogar tão facilmente. Entre “Abaixo de Zero” e “Imperial Bedrooms” existiram quatro romances e uma coletânea de contos que exploraram direções muito diferentes. Em “Regras da Atração”, por exemplo, Ellis usa o artifício, muito em voga nos dias de hoje, de narrar a mesma história de vários pontos de vista. Ele o faz, porém, com brio: por se tratarem de universitários que abusam de drogas e álcool, os relatos individuais dos mesmos eventos se mostram contraditórios e o leitor nunca tem certeza do que de fato aconteceu na trama. A adaptação cinematográfica de Roger Avary tentou dar conta dessa forma de narrar com vários artifícios próprios da linguagem do cinema, como dividir a tela em dois. O resultado, porém, não é capaz de dar conta de todas as nuances do texto literário.</p>
<p>Já em “Lunar Park”, penúltimo livro de Ellis, o autor transforma-se em personagem, ficcionalizando a própria vida e inserindo personagens de outros livros como “fantasmas” a perseguir o autor-protagonista. Esse recurso pós-modernista conhecido como “autoficção” foi amplamente debatido e analisado em livros de autores como Vila-Matas e Coetzee. “Lunar Park”, no entanto, foi bastante ignorado pela crítica acadêmica, que não soube valorizar esse aspecto da obra.</p>
<p>A produção de Ellis é irregular, acidentada, mas também variada e curiosa, não apenas por um “possível retrato da sociedade”, mas pela habilidade nas experimentações formais do autor. Acima de tudo, esse escritor pode ser pensado como um artista que buscou pintar o inferno das mais diversas maneiras, dos mais inesperados ângulos. Um inferno pessoal, que começou nos anos 80 e vem mudando de rosto com o passar das décadas.</p>
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		<title>Primeira incursão no Coetzee ensaísta</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Aug 2010 14:37:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou abastecido de boa parte (quase todos, alguns diriam) dos ensaios publicados do escritor sul-africano J.M. Coetzee. Falo dos livros Doubling The Point (com ensaios coletados de 1970 &#8211; 1990, intercalados com entrevistas feitas pelo David Atwell), o Stranger Shores (ensaios de 1986 &#8211; 1999) e o Inner Workings (2000 &#8211; 2005).
Quando iniciei minha incursão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou abastecido de boa parte (quase todos, alguns diriam) dos ensaios publicados do escritor sul-africano J.M. Coetzee. Falo dos livros <em>Doubling The Point</em> (com ensaios coletados de 1970 &#8211; 1990, intercalados com entrevistas feitas pelo David Atwell), o <em>Stranger Shores </em>(ensaios de 1986 &#8211; 1999) e o <em>Inner Workings</em> (2000 &#8211; 2005).</p>
<p>Quando iniciei minha incursão no Coetzee ensaísta, pensei que encontraria algo na linha do que o autor demonstrara em Elizabeth Costello, romance onde a personagem principal lê palestras inteiras (técnica que ficou conhecida como ensaio ficcional) ou como os ensaios presentes no Diário de Um Ano Ruim. Não poderia estar mais enganado. Se, na ficção dele, Coetzee é um ensaísta sem rigor, quase leviano, nos ensaios &#8220;propriamente ditos&#8221;, ele é o contrário. Doubling The Point choca pelo uso intensivo de citações com propriedade. Em um artigo sobre Tolstói e Rousseau, Coetzee se utiliza de conceitos de Paul de Man e Derrida sem se preocupar em fazer um texto acessível a todos (como são os ensaios do Diário de um Ano Ruim). Claro, eu suspeitava que Coetzee era um leitor dos teóricos da desconstrução com base nos romances dele, mas é sempre meio chocante se deparar com um artigo que confirma que aquele autor que você sempre leu tem formação acadêmica. Porque, apesar de tudo, eu não via Coetzee como um acadêmico, eu o via como alguém que era capaz de produzir ficção que dialogava com questões recorrentes na discussão intelectual dos dias de hoje. Mas não. Coetzee é hardcore.</p>
<p>Os outros livros de ensaios, pelo que vi, não têm namedropping de teóricos (ok, peguei pesado, Coetzee não faz namedropping, ele cita com propriedade, ok, ok). O <em>Stranger Shores</em>, se peca por alguma coisa, é pelo seu didatismo excessivo, como no caso do texto sobre Borges, que parece apresentar o autor para alguém que nunca ouviu falar dele. Não obstante, o livro parece recheado de pequenas maravilhas (só li 4 textos dele até agora). O ensaio de abertura, &#8220;What is a classic?&#8221;, me respondeu muitas dúvidas que tiravam meu sono. Ele trata justamente da questão de todo conceito de valor ser culturamente construído, algo dado como óbvio no mundo acadêmico. (se você, por algum motivo, esteve longe o tempo todo da vida acadêmica, i.e., se você é uma pessoa feliz, pode não saber que o &#8220;universal&#8221; foi derrubado, que Shakespeare ou Proust são culturalmente construídos, seu valor existe com base no que uma certa cultura ocidental considera como &#8220;belo&#8221;). Pois, partindo de uma anedota pessoal do jovem Coetzinho passeando pela rua e ouvindo Bach pela primeira vez aos quinze aninhos e se emocionando com isso, ele se pergunta o seguinte: como hoje, sabendo todos os &#8220;arredores&#8221; do modo de produção que possibilitou o surgimento de Bach, i.e., o contexto histórico preciso, a história da sua recepção etc., podemos continuar nos emocionando com Bach? e como ele, quando jovem, sem saber que música era aquela, se emocionou? E bola uma definição do que é clássico de romper os testículos do Calvino: o clássico como aquilo que sobrevive o &#8220;probing&#8221; dos críticos com o passar dos tempos, clássico como o que não fica datado, o que resiste a qualquer nova teoria formulada por um francês entediado, que resiste a uma análise marxista, a uma análise pós-estruturalista, a uma análise-. Datz classic, bro.</p>
<p>Massa, né não? Coetzee é o bicho, eu sempre digo. Vou desligar o metal e ouvir Bach um pouquinho até.</p>
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		<title>Lísias, Sant&#8217;Anna e o sintoma na linguagem</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 02:06:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
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		<category><![CDATA[André Sant'Anna]]></category>
		<category><![CDATA[nova literatura]]></category>
		<category><![CDATA[ricardo lísias]]></category>

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		<description><![CDATA[Lendo &#8220;O livro dos mandarins&#8221;, do Ricardo Lísias, me dei conta de uma relação possível de se traçar entre esse autor brasileiro e o André Sant&#8217;Anna. Não sou muito chegado em fofocas literárias, não sei se os dois se detestam de morte ou se um gosta da prosa do outro, tanto faz. Vejo uma relação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lendo &#8220;O livro dos mandarins&#8221;, do Ricardo Lísias, me dei conta de uma relação possível de se traçar entre esse autor brasileiro e o André Sant&#8217;Anna. Não sou muito chegado em fofocas literárias, não sei se os dois se detestam de morte ou se um gosta da prosa do outro, tanto faz. Vejo uma relação bem clara entre os dois.</p>
<p>Pois. Tanto Lísias quanto André Sant&#8217;Anna tem um tique da repetição nervosa. Em André Sant&#8217;Anna, expressões são repetidas sem parar, como o &#8220;Mas não&#8221; de &#8220;O Paraíso É Bem Bacana&#8221;. Nesse livro em questão, a repetição de expressões também serve para identificar o narrador (o romance é composto de dezenas de narradores, nenhum deles identificado). Já nos contos de Sant&#8217;Anna, a repetição geralmente mostra um ponto nevrálgico do discurso do personagem/narrador. É algo incômodo que o narrador insiste em falar de novo e de novo. Já foi dito por muitos, e acho que estão certos: André Sant&#8217;Anna trabalha com a linguagem do preconceito. A repetição é um sintoma de algo que está errado, e esse sintoma é diagnosticado na linguagem.</p>
<p>Já Ricardo Lísias, no conto ótimo que publicou na Granta #2, parece desenvolver de forma embrionária a estratégia que desenvolveria no seu &#8220;Livro dos mandarins&#8221;. Estou bem no início do romance, então eu nem deveria estar falando nada, mas aqui estou eu falando e falando. Enfim. Lísias não trabalha com a repetição de expressões, mas com a multiplicação de nomes idênticos. Paulo, protagonista d&#8217;Os Mandarins, se depara com Paula, outra Paula, Paulinho, Paulson e outros. Esse uso dos &#8220;diversos Paulos&#8221; parece apontar para uma crítica da massificação da vida de executivo (um tema já trabalhado, curiosamente, por André Sant&#8217;Anna) e, por outro lado, para um narcissismo brutal. Apesar de narrado em terceira pessoa, o foco no Paulo-protagonista e em sua visão de mundo nos apresenta um universo repleto de variações de Paulos. Defina egocentrismo. Mais uma vez, o sintoma na linguagem.</p>
<p>Claro, eu posso estar completamente errado.</p>
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		<title>O Auster sem riscos</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 14:55:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[paul auster]]></category>

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		<description><![CDATA[Li, no final das férias (que outra época?), um livro do Paul Auster que sabia, de antemão, que não seria nada demais. Li porque sabia que seria uma leitura tranquila, que não me exigiria muito, porque sabia que as 320 páginas teriam uma fluência fácil e o livro se escorreria em dois dias. O livro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li, no final das férias (que outra época?), um livro do Paul Auster que sabia, de antemão, que não seria nada demais. Li porque sabia que seria uma leitura tranquila, que não me exigiria muito, porque sabia que as 320 páginas teriam uma fluência fácil e o livro se escorreria em dois dias. O livro é &#8220;Desvarios no Brooklyn&#8221; (Companhia das Letras, 2005) e ele era tudo que eu imaginava. Não consigo, ao contrário de outros amigos, detestar Paul Auster, afinal ele escreveu &#8220;Trilogia de Nova York&#8221;, que tem duas noveletas irretocáveis.</p>
<p>&#8220;Desvarios no Brooklyn&#8221; é Auster sem riscos. Sua prosa nunca é ruim, nunca é desagradável, nunca é amadora. Sua metáforas nunca são banais, seus personagens nunca são mal construídos. Acho que Auster não conseguiria fazer um livro ruim nem se quisesse (ops, esqueci de &#8220;Noite do Oráculo&#8221;). E, no entanto, &#8220;Desvarios no Brooklyn&#8221; está situado numa zona de conforto. Os conflitos que surgem na narrativa logo se resolvem, sem maiores problemas. Por mais dramas que surjam, sempre paira um clima de tranquilidade no horizonte. Os casais vão se formando (quase todo personagem que aparece se apaixona por outro e dá tudo certo), os finais felizes se amontoando, junto com as lições de vida. É um livro agradável, e por isso mesmo frustrante. A coisa que R.B. mais valorizava na literatura era justamente o &#8220;risco&#8221;. &#8220;Desvarios no Brooklyn&#8221; é Auster sem riscos. Uma leitura de fim de férias, portanto.</p>
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		<title>Um breve recap da jogatina de 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 16:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[videogame]]></category>

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		<description><![CDATA[2010 está sendo um ano esquisito. No mestrado, tenho aula duas vezes por semana, ou seja, minha presença física no campus é mínima. As leituras exigidas eu já tinha lido 50% antes para a vida. Por quê? Bem,  porque gosto de ler, essas coisas. Minha renda, esse ano, toda veio dos chamados &#8220;freelas&#8221;, i.e., trabalhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>2010 está sendo um ano esquisito. No mestrado, tenho aula duas vezes por semana, ou seja, minha presença física no campus é mínima. As leituras exigidas eu já tinha lido 50% antes para a vida. Por quê? Bem,  porque gosto de ler, essas coisas. Minha renda, esse ano, toda veio dos chamados &#8220;freelas&#8221;, i.e., trabalhos que podem ser feitos pelado de madrugada. O resultado? Sobrou muito mais tempo para eu me dedicar aos games. Sendo assim, consigo apresentar um <em>recap</em> das coisas legais e as nada legais que joguei e tenho jogado em 2010.</p>
<p>Sim, mais um post sobre videogames. Nada de literatura aqui. Ninguém está te obrigando a ler.</p>
<p>Assassin&#8217;s Creed 2 (PS3): tecnicamente um jogo de 2009, mas só fui jogar agora, quando me emprestaram. Ignore todas as resenhas puxa-saquísticas. Se algum crítico acertou no julgamento dele, foi o pessoal da Destructoid, que deu 4.5. O jogo é &#8220;bom&#8221; &#8211; na maneira que um &#8220;blockbuster&#8221; é &#8220;bem feito&#8221;. Tem reconstrução de época milimétrica, tem ótimos dubladores, enfim, o jogo cheira a &#8220;gastaram muito dinheiro pra fazer isso aqui&#8221;. O problema? A jogabilidade, oras. O que adianta reconstruir Florença do século XVI à perfeição se o jogador não se consegue se mexer direito por ela? A parte &#8220;plataforma&#8221; de Assassin&#8217;s Creed 2 é um dos maiores retrocessos que já vi. O protagonista vai escalar paredes quando deve correr, vai dar um pulo pra trás e despencar de 10 andares quando deveria escalar, e assim por diante. É, digamos, um anti-Uncharted.</p>
<p>Super Mario Galaxy 2 (Wii): &#8220;<a href="http://www.chronicart.com/jeuxvideo/chronique.php?id=11769">Super Mario galaxy 2</a> vise plus ou moins la même et superbe ambition : le vertige sensitif.&#8221;, escreveu o pessoal do Chronic-Art. Não tiro nem ponho. Ótimo, fabuloso, mas joguei pouco, já que o Wii tá emprestado com a sra. Nesky (vulgo &#8220;A Neska&#8221;).</p>
<p>Red Dead Redemption (PS3): Apesar do meu post emocionado comparando o jogo com Flaubert, umas ressalvas precisam ser feitas. As missões são repetitivas pra caralho. Sofre do mesmo mal que a maioria dos jogos de mundo aberto: as missões se tornam &#8220;vá até ponto X e mate tal pessoa&#8221;. Explorar e fazer coisas fora das missões é mais divertido e interessante que o normal se você é fã de westerns, mas cansa, como sempre cansam esses jogos de mundo aberto. A trama é boa, o final é emocionante, é um grande épico. Todavia&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;</p>
<p>Dragon Age: Origins (PC): Sucessor espiritual de Baldur&#8217;s Gate 2. Ou seja: um jogo chato pra caralho com um bom enredo. É muito difícil se &#8220;divertir&#8221; jogando ele, mas para quem gosta de acompanhar uma história legal e fazer escolhas, i.e., para quem gosta de RPG papel-e-caneta sem todas as piadas e brincadeiras que surgem da interação com os amigos, é uma boa escolha. Superestimado, porém.</p>
<p>Just Cause 2 (PS3): parece ridiculamente divertida a demo, mas estou esperando entrar em promoção para comprar ou algum amigo emprestar. O mesmo vale para God of War 3. Por que estou mencionando jogos que não joguei no meio do post? Ué, pra ninguém reclamar que eu falei de jogos de 2010 e não mencionei esses, rááá.</p>
<p><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/VVVVVV">VVVVVV</a> (PC): Talvez o jogo do ano. Gráficos da década de 80, sim, mas um dos melhores level designs que já vi, acompanhado da trilha sonora mais viciante do mundo. Parece absurdo, mas um jogo tão simples pode provocar imersão total até nos dias de hoje. Me fez gritar de emoção umas 300 vezes.</p>
<p>Uncharted 2 (PS3): É de 2009, mas só joguei esse ano. Em resumo, é o que Indiana Jones 4 deveria ter sido e não foi. Prova final de que, se tratando de blockbusters e aventura/ação, os games realmente estão à frente. Desista, cinema.</p>
<p>Bioshock 2 (PC): Deixa muitas coisas mais divertidas que o 1º Bioshock por causa de pequenas mudanças, como o novo sistema de hacking, onde você hackeia a segurança enquanto desvia de tiros e corre por aí. O jogo ganha em entretenimento e perde em &#8220;fator novidade&#8221;. É mais do mesmo: mesmos gráficos, mesmo universo.</p>
<p>Mass Effect 2 (PC): OK, esse sim talvez seja O jogo do ano. Ainda não bati o martelo porque estamos recém em agosto e eu joguei apenas 5 horas dele. Conserta todos os equívocos do primeiro Mass Effect, ou seja, torna a ação divertida, emocionante e intuitiva (tudo que não era antes), incentiva o jogador a fazer quests não-obrigatórios. E o melhor: mantém o acerto do primeiro, que é a fabulosa direção de arte. Para apaixonados por ficção científica, é um jogo obrigatório. A beleza plástica das cenas de diálogo, o prazer que é explorar novos planetas&#8230; A influência de Blade Runner está por todo lugar. Mass Effect 2 é sombrio e decadente, à moda de Deus Ex. E lindo. É jogar para crer.</p>
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		<title>Rapidíssimas (IV)</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Jul 2010 14:21:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sumi, é, sumi. Estou devendo três textos para o mestrado, um artigo para um jornal, um conto para uma coletânea, um conto para meu livro de contos (que eu achava que estava mais ou menos pronto, mas que não pára de crescer), e daí não sobra nenhuma idéia para o blog. Estar com Mass Effect [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sumi, é, sumi. Estou devendo três textos para o mestrado, um artigo para um jornal, um conto para uma coletânea, um conto para meu livro de contos (que eu achava que estava mais ou menos pronto, mas que não pára de crescer), e daí não sobra nenhuma idéia para o blog. Estar com Mass Effect 2 instalado também não ajuda.</p>
<p>***</p>
<p>Um pouco de egopress (cf. Miguel L&#8217;aube): na revista Norte, distribuída de graça em pontos culturais de POA, Curitiba, São Paulo e alguns outros lugares, tem um conto inédito meu. Saiu uma entrevista minha no <a href="http://www.artilhariacultural.com/?p=4494">Artilharia Cultura</a>l.</p>
<p>***</p>
<p>Dois hits de entrada ao meu blog foram com o search &#8220;crepúsculo não forma leitores&#8221;. Alguém querendo ver sua tese confirmada. Juremir M. da S. uma vez disse que &#8220;Harry Potter só forma futuros leitores de Paulo Coelho&#8221;. Eu não sou tão radical. Tenho consciência, claro, de que toda essa massa de leitores de fantasia não necessariamente procurará uma literatura mais &#8220;exigente&#8221; no futuro. Por outro lado, sei que ler não é só interpretar, mas também o trabalho de isolar-se da televisão, da internet, do celular, sentar a bunda numa cadeira e ler. Aprender a ler não passa apenas por &#8220;entender e interpretar&#8221;. É um exercício &#8220;manual&#8221;, eu diria, se usasse mãos. Tem uma parcela de exercício: uma palavra depois da outra, uma linha depois da outra. Quanto mais se lê, mais se lê. Sem distrações. Há algo de aprendizagem da solidão. Você precisa ficar sozinho com o livro para então descobrir que acompanhado de um livro você nunca está sozinho.</p>
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		<title>Duas vezes João Carlos</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 16:15:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Antônio Xerxenesky</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[joca reiners terron]]></category>

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		<description><![CDATA[1) Joca Terron, nos 7 anos da morte de Bolaño, traduziu o &#8220;Dicionário Bolaño&#8221; aqui, que é uma das melhores coisas que já li sobre o chileno. Confie em mim, eu já li muitas coisas sobre ele. É particularmente interessante porque esse dicionário acaba de vez com aquela visão que alguns tem do Bôla de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1) Joca Terron, nos 7 anos da morte de Bolaño, traduziu o &#8220;Dicionário Bolaño&#8221; <a href="http://jocareinersterron.wordpress.com/2010/07/15/1238/">aqui</a>, que é uma das melhores coisas que já li sobre o chileno. Confie em mim, eu já li muitas coisas sobre ele. É particularmente interessante porque esse dicionário acaba de vez com aquela visão que alguns tem do Bôla de típico latino esquerdista que só escreve sobre ditadura, visão geralmente causada pela leitura exclusiva de Amuleto e Detetives Selvagens.</p>
<p>2) Joca Terron lançou meu livro favorito até agora do projeto &#8220;Amores Expressos&#8221;. Seu &#8220;Agito no Egito&#8221;, agora conhecido como &#8220;Do fundo do poço se vê a lua&#8221;, me conquistou pelo narrador(a), pela prosa convincente deste. É raro unir lirismo e verossimilhança. Wilson/Cleópatra fez isso. Mas o que mais me agradou mesmo foi o primeiro capítulo, negócio de mestre. Lança trinta mil informações, todas incompletas. Ou seja: instiga o leitor ao limite. O leitor precisa saber mais, um pouco mais, de tudo, de todos os aspectos e fios que se abriram no início. O romance perde um pouco de fôlego no meio, mas a conclusão satisfatória nos faz esquecer disso (e também de alguns &#8220;fins de capítulo&#8221; meio bregas).</p>
<p>Alan Pauls disse, recentemente, que &#8220;o fim do romance&#8221; se tornou um gênero do romance. Terron, de certa forma, faz um livro sobre como não é possível falar mais nada de novo sobre o tema do duplo. Ao terminar a leitura do romance, porém, o leitor sai com a certeza de que &#8220;Do fundo do poço se vê a lua&#8221; encontrou algo novo, nem que seja um discurso sobre o &#8220;fim do duplo&#8221;. É um livro que merece uma releitura, uma análise minuciosa, e é por isso que eu o saúdo com tanta empolgação.</p>
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